Cibersegurança no Brasil: por que reagir já não é suficiente na era da Shadow AI
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A inteligência artificial generativa segue dominando manchetes, eventos e conversas estratégicas nas empresas. Mas uma mudança silenciosa, e muito mais concreta, está acontecendo nos bastidores das organizações: a ascensão dos agentes de IA. É aí que o jogo realmente se passa.
Na Web Summit 2025, realizada em Lisboa, essa distinção ficou evidente para quem acompanha a aplicação prática de IA nas operações corporativas. Entre demonstrações de modelos cada vez mais poderosos, o que chamou atenção foi outra coisa: agentes de IA já fazendo trabalho concreto dentro das organizações.
Um modelo generativo responde a uma pergunta ou produz um conteúdo. Um agente de IA navega sistemas, integra ferramentas, segue fluxos, toma decisões com contexto e executa tarefas de ponta a ponta, com supervisão reduzida. Essa capacidade de execução autônoma é o que torna os agentes tão relevantes para o ambiente corporativo, e é o que muitas empresas ainda subestimam.
Há um ponto que escapa à maioria das análises sobre o tema: agentes só funcionam onde já existe maturidade operacional. A IA amplifica o que encontra. Processos bem estruturados ganham velocidade; processos caóticos ganham escala no caos.
As empresas que avançam mais rápido são as que investiram primeiro em organizar a casa. Isso significa:
Longe de ser a parte mais glamorosa da transformação digital, esse trabalho de base é o que separa quem lidera de quem corre atrás. Na Foursys, atuamos há mais de duas décadas apoiando empresas nessa jornada. A experiência mostra que o alicerce tecnológico importa tanto quanto a tecnologia em si.
Um dos aspectos mais marcantes das discussões na Web Summit 2025 foi a velocidade com que resultados concretos estão sendo obtidos. A distância entre conceito e impacto nunca foi tão curta. Quando esse ritmo se combina com a capacidade de escalar, e os investimentos globais em IA seguem crescendo em ritmo acelerado, o resultado vai além da melhoria de operações existentes. As operações em si passam a ser redesenhadas.
Com o avanço dos agentes, os dados se tornaram ainda mais críticos e mais complexos de gerir. Texto puro já não basta. Para operar com consistência, os agentes precisam de:
É justamente nesse ponto que os desafios mais sérios se apresentam: consentimento, rastreabilidade, governança e responsabilidade sobre as decisões tomadas de forma autônoma. Quando um agente acessa documentos internos ou interage com sistemas críticos e algo falha, o problema deixa de ser técnico e passa a ser risco direto para o negócio. Segurança, nesse cenário, funciona como condição de entrada.
Outro movimento relevante diz respeito ao avanço dos agentes diretamente nos dispositivos, sem depender exclusivamente da nuvem. Privacidade, latência e custos tornam essa abordagem cada vez mais atrativa para empresas que buscam maior controle sobre seus dados e operações.
Com essa arquitetura distribuída ganhando força, os próximos 12 a 24 meses devem trazer agentes muito mais autônomos, capazes de tomar decisões baseadas em políticas, histórico e objetivos com supervisão mínima. A analogia com colegas digitais começa a fazer sentido prático.
A indústria vive um momento singular. Empresas de todos os setores testam, falham, aprendem e escalam soluções em tempo real, num ciclo que raramente existiu antes com essa velocidade.
A disputa também mudou de foco. Construir o maior modelo deixou de ser o objetivo central. A competição que vai definir líderes será sobre quem constrói o ecossistema de agentes mais útil, mais seguro e mais aderente à realidade operacional das empresas.
A GenAI segue em evidência, mas a transformação mais profunda acontece em outro nível. São os agentes que já liberam equipes de tarefas repetitivas, aceleram operações com consistência e escala, reduzem erros em processos críticos e abrem espaço para que profissionais se concentrem no trabalho que realmente exige raciocínio estratégico. Essa revolução não aguarda um futuro distante. Ela já está em curso.
Este post foi inspirado no artigo de opinião publicado no SAPO por Maurício Teixeira Barbieri, Managing Director Europe da Foursys, após a Web Summit 2025.
Quer entender como os agentes de IA podem transformar a operação da sua empresa?
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